O futuro do trabalho: entre o “tsunami” da IA e a evolução do recrutamento
Os avisos estão se acumulando e o tom é de urgência. Na última semana, figuras de peso da economia global e do setor de tecnologia lançaram previsões sombrias sobre o impacto da inteligência artificial no emprego. Kristalina Georgieva, diretora do FMI, comparou a chegada da IA ao mercado de trabalho a um “tsunami”. Seguindo a mesma linha, Jamie Dimon, o poderoso chefe do JPMorgan Chase, previu que o maior banco da América precisará de menos funcionários em breve. Talvez a previsão mais alarmante venha de Dario Amodei, líder da Anthropic, que estima que a tecnologia desenvolvida por sua empresa possa extinguir metade de todos os empregos de nível inicial, os chamados white-collar jobs.
No entanto, enquanto o debate macroeconômico foca na possível extinção de vagas, o setor de recrutamento corre para usar a mesma tecnologia para transformar a maneira como as pessoas encontram trabalho e como as empresas encontram talentos. Nesse cenário, plataformas como o Indeed, que conecta candidatos a empregadores, tornam-se um laboratório crucial para entender essa transição. O objetivo deixa de ser apenas a substituição, focando na eficiência e na “humanização” do processo seletivo através da automação.
A estratégia do Indeed: agilidade com cautela
Maggie Hulce, diretora de receita (CRO) do Indeed, oferece uma perspectiva prática de como essa revolução está sendo implementada no dia a dia. Segundo ela, a inteligência artificial é fundamental para a missão da empresa há quase duas décadas, alimentando bilhões de conexões entre candidatos e vagas. O objetivo declarado é tornar a contratação mais simples e rápida, mas, paradoxalmente, mais humana.
Atualmente, a plataforma opera com mais de cem recursos impulsionados por IA. Isso vai desde recomendações personalizadas de vagas e insights salariais para quem busca emprego, até a otimização de descrições de cargos e correspondência de candidatos para os recrutadores. Uma parceria estratégica com a OpenAI tem sido valiosa para desenvolver mais de uma dúzia desses produtos.
Hulce destaca o equilíbrio delicado que a empresa busca: mover-se rapidamente, utilizando dados para melhorar continuamente o match entre as partes, mas com uma abordagem deliberadamente responsável. A executiva reforça que, embora a IA acelere a triagem e a avaliação, é essencial que os empregadores permaneçam no comando, sendo sempre os tomadores de decisão finais nas contratações.
Novos agentes e ferramentas no mercado
Essa abordagem híbrida resultou no lançamento recente de diversas funcionalidades. Entre as novidades estão dois agentes de IA: o Career Scout, que atua como um treinador de carreira pessoal para candidatos, e o Talent Scout, voltado para empregadores, projetado para automatizar as partes mais demoradas e burocráticas do recrutamento.
Além disso, a plataforma anunciou novas capacidades através do Indeed Connect, como triagem e busca avançadas. A ideia é que, ao delegar o trabalho repetitivo para a máquina, o processo se torne menos exaustivo para ambos os lados do balcão.
Transformação interna e produtividade
A revolução não acontece apenas para os usuários da plataforma, mas também muda a dinâmica interna da própria empresa. Há um entusiasmo visível entre as equipes do Indeed, especialmente onde a tecnologia elimina tarefas repetitivas.
No marketing, a IA tem acelerado a geração criativa e as pesquisas de marca. Nas áreas de vendas e sucesso do cliente, as equipes utilizam modelos internos que sugerem as “próximas melhores ações” e sinais em tempo real, além de criarem seus próprios agentes para planejamento de contas e geração de propostas.
O impacto é ainda mais profundo na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A adoção de ferramentas de codificação baseadas em agentes disparou, com mais de 80% dos engenheiros utilizando a tecnologia. O resultado prático dessa adoção é mensurável: cerca de dois terços dos funcionários relatam uma economia de até duas horas por semana. Esse tempo ganho permite que as equipes foquem em tarefas mais estratégicas e criativas, entregando, em última análise, mais valor num mercado de trabalho que, como alertam os especialistas, está mudando para sempre.
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